Living in the gray city

Em uma cidade de loucos e santos ninguém se destaca, todos passam despercebidos pela grande mancha cinza que nos rodeia, uma mancha que encobre a verdade, encobre faces e disfarces, mancha essa que preenche o vazio que causa a multidão sem conteúdos e princípios, sem razão e nem moral, sem absolutamente nada, feita para ”reparar” estragos e defeitos, mancha que disfarça atitudes imorais, o único jeito para todos acharmos que vivemos em uma sociedade de olhos e braços abertos é através desta grande mancha cinza.

– Giovanna Melo

Timing

Ele: – …..Oi

Ela: – Oi, quanto tempo que não te vejo, você sumiu, por onde andou?

Ele: – É, eu dei uma sumida sim, é que eu estava pensando.

Ela: – Pensando em o que?

Ele: – Em nós.

Ela: – Nós?

Ele: – Sim, eu preciso te dizer algo, é importante.

*o celular dela toca*

Ela: – Alô? Oi amor, você demorou para me ligar. Eu já estava morrendo de saudades. Eu te amo

*desliga o celular*

Ela: – O que você queria mesmo me dizer?

Ele: – Esquece, não era nada.

E ele vai embora, com todas aquelas palavras que ele iria dizer já gravadas em sua mente por causa de todas as semanas que ele passou decorando, ele caminhava e repetia para si mesmo… ”Eu queria dizer que eu me sinto bem quando estou ao seu lado, consigo ser eu mesmo, sem ao menos me esforçar, eu sou mais feliz contigo. Seu sorriso me transporta para outro universo, meu coração dispara quando eu penso em você, quando você me toca meu corpo inteiro começa a formigar e eu acho que só há uma razão para tudo isso, amor, isso, eu te amo. muito.”

– Giovanna Melo

Secret valentine

E ele era feito de meias palavras, meios sorrisos, meias conversas, meios abraços, meias atitudes, pessoa instável, essa seria a sua definição, talvez por ser livre demais não consegue se decidir, ou talvez por não ser tão livre assim e por falta de prática não consegue. Quem sabe. O mistério o ronda, uma suposta neblina está em seus olhos e faz com que ela não consiga desvenda-lo. Quando diz que sim, parece que diz um não, quando diz que quer parece que diz que não quer, quando diz que sente falta parece que diz que não sente, ele é o mistério em pessoa, ela não sabe se acredita em suas palavras e não leva em conta seus gestos ou se acredita em seus gestos e não leva em conta suas palavras, ela realmente não sabe, ela pensa sempre sobre as atitudes dele e ainda não chegou em uma conclusão, bom, na verdade, ela chegou em uma, mas não sobre as atitudes dele, apenas em relação sobre o que ela pensa dele, ele não precisa dela como ela precisa dele, ele não a quer em sua vida como ela o quer, ele não a vê como ela o vê, ele não quer ter ela como ela quer ter ele, ele não a sente como ela o sente, ele não fica com ela como ela fica com ele. Mas calma, isso era apenas o que ELA achava e não a realidade. A verdade era que ele era feito de meias atitudes por não ter certeza o que ela acharia dele fizesse aquilo… Se não fizesse aquilo…Se fizesse aquilo de um jeito…Se fizesse aquilo de outro jeito… Sim, ele era tímido, mas a amava, sempre amou, em sua cabeça a pessoa instável era ela, a pessoa de meias palavras, meios sorrisos, meias conversas, meios abraços, meias atitudes era ela, ele não fazia a menor ideia dos sentimentos daquela menina. E assim ficaram os dois, por falta de 3 palavras cada um ficou em seu canto achando a mesma coisa um do outro e sentindo a mesma coisa. Se algum deles tivesse a atitude, a coragem de falar essas 3 palavras talvez essa história poderia ter sido diferente, mas, não foi.

– Giovanna Melo

In a quiet room

Ele precisa de uma quarto quieto com uma tranca na porta, apenas um quarto vazio e limpo, tocando um velho violão com sua palheta já gasta com o tempo, preta, ele toca enquanto pensa em tudo o que já passou, tudo o que já vivenciou e está vivenciando agora, pensa no certo, no errado, no sensato e insensato, no passado, presente e também no futuro, o que será de sua vida agora? O que ele fará? Viverá na mesma? Ele quer mudar, mas como ele mudará? E o silêncio continua, nada o incomoda, ouve apenas o som das cordas de seu velho violão batendo em suas unhas, um ritmo tranquilo, ele nunca se apaixonou mas sabe o que é o amor, ele não se importa com isso, não se importa com os outros, apenas com ele mesmo e no que fará, ninguém se manifesta…

– Giovanna Melo

That girl

O dia era 10 de agosto, o ano não me lembro, mas foi exatamente este dia que Hay e Will se ”conheceram”. 10 horas da manhã, Will estava no começo de sua rotina, acordar, tomar café, pegar seu carro e ir para o trabalho, porém neste exato dia Will resolveu ir de metrô, pois decidira ser um cidadão consciente após ter assistido algum documentário sobre meio ambiente que passava no Discovery Channel em mais uma de suas noites de insônia; foi até a estação, pegou seu lugar no metrô e lá se acomodou, tirou seu livro da maleta, Crime e Castigo, começou a ler, as vezes passava seus olhos por cima do livro para ver o movimento, em uma dessas observadas se deparou com uma mulher de cabelos longos e loiros, o rosto coberto por um livro vermelho, parecia mais uma das milhares edições de Crime e Castigo, maldito livro, Will ficou fixado sem nem ao menos ter visto o rosto da tão bela mulher, usava calça jeans e uma blusinha branca, havia chegado a hora de descer, Will guardou seu livro e caminhou até a porta, mas não tirando o olho daquela mulher para ver se talvez ele conseguia ver seu rosto, não conseguiu, portanto foi ao trabalho. No dia seguinte Will resolveu ir novamente de metrô ao trabalho, pois ainda sim era um cidadão consciente; foi até a estação, pegou seu lugar e lá se acomodou, tirou seu livro da maleta, Crime e Castigo, começou a ler, dessa vez sem tirar os olhos do livro, pois o dia anterior não tinha sido muito bom para ele, durante sua leitura uma voz doce e calma chegou aos ouvidos de Will. – Este livro não é demais? – Respondeu que sim e seus olhos subiam lentamente ao encontro da dona daquela suave voz, era ela, Will tinha certeza, apenas uma pessoa no mundo possuiria aqueles cabelos longos e loiros, algo vermelho o chamou atenção, era o livro, Crime e Castigo, sim, definitivamente era ela, seu rosto era mais encantador do que havia imaginado, começaram a conversar sobre o livro, havia chegado a hora de descer, Will guardou seu livro, estendeu uma das mãos para ela e disse: – Prazer, me chamo Will. – Hay. Disse ela acenando com um sorriso, Hay, que nome encantador, Will caminhou até a porta com Hay em seu pensamento, foi ao trabalho. No dia seguinte, Will novamente iria ao trabalho de metrô, cidadão consciente? Não, queria encontrar Hay, e assim os dias foram se passando, Will e Hay se encontravam pela manhã no metrô, até que 11 de setembro havia chegado, um dia digamos que, diferente. Will foi ao metrô, encontrou Hay e já foi logo dizendo: – Hay, eu não consigo mais parar de pensar em você, tudo me lembra de você, quando estou sozinho eu lembro de você, quando estou acompanhado eu lembro de você, eu não consigo mais esconder Hay, eu te amo.

Logo que Will disse isso o metrô parou e dois homens entraram friamente, colocaram suas armas para cima e gritaram: – Todos me entregando dinheiro, celular, tudo. Um dos caras puxou Hay e disse: – Se não fizerem o que estou mandando, essa menina morre.

Will ficou roxo de raiva, milhares de coisas passaram em sua cabeça naquele momento, decidiu arrancar Hay dos braços do homem, e foi isso que ele fez, ouvi um barulho, Will caiu no chão, sangrava, os homens pegaram as coisas e foram embora, Hay deitou ao lado de Will, ele morrera, com sua voz doce de sempre Hay disse : – Eu também te amo Will e sempre vou amar. Uma lágrima escorrendo em seu rosto, Hay encostou seu rosto no peito de Will e lá ficou.

Eu havia presenciado a história inteira dos dois, como mais um passageiro no meio da multidão, guardo esse caso em minha memória até hoje, como uma verdadeira história de amor.

– Giovanna Melo.

Drama Queen

Dramas e mais dramas, cansei deles, seja adulto, encare as coisas como elas são e não faça uma gota virar uma grande onda, ultimamente estou relevando todos os famosos dramas adolescentes, não os faço e não gosto de quem os faz. Acho sem nexo você dar certa importância a coisas que não levam a nada. Importe-se com o que realmente é importante e não com coisas supérfluas que rondam o seu dia-a-dia.

– Giovanna Melo

Your eyes are the window to the soul

Eu consigo ver tudo através de seus olhos, vejo falsidade, vejo mentiras e mais mentiras, mas bem lá no fundo vejo uma pessoa que faz tudo isso apenas para ser aceita, te darei apenas um conselho, não faça isso, não finja ser alguém que você não é, não faça coisas que você mesma não faria, você pode conseguir enganar, mas seus olhos não, toda vez que eu olho para eles eu me sinto mal, tanta maldade para apenas uma pessoa, e o pior, uma pessoa corrompida.

– Giovanna Melo