That girl

O dia era 10 de agosto, o ano não me lembro, mas foi exatamente este dia que Hay e Will se ”conheceram”. 10 horas da manhã, Will estava no começo de sua rotina, acordar, tomar café, pegar seu carro e ir para o trabalho, porém neste exato dia Will resolveu ir de metrô, pois decidira ser um cidadão consciente após ter assistido algum documentário sobre meio ambiente que passava no Discovery Channel em mais uma de suas noites de insônia; foi até a estação, pegou seu lugar no metrô e lá se acomodou, tirou seu livro da maleta, Crime e Castigo, começou a ler, as vezes passava seus olhos por cima do livro para ver o movimento, em uma dessas observadas se deparou com uma mulher de cabelos longos e loiros, o rosto coberto por um livro vermelho, parecia mais uma das milhares edições de Crime e Castigo, maldito livro, Will ficou fixado sem nem ao menos ter visto o rosto da tão bela mulher, usava calça jeans e uma blusinha branca, havia chegado a hora de descer, Will guardou seu livro e caminhou até a porta, mas não tirando o olho daquela mulher para ver se talvez ele conseguia ver seu rosto, não conseguiu, portanto foi ao trabalho. No dia seguinte Will resolveu ir novamente de metrô ao trabalho, pois ainda sim era um cidadão consciente; foi até a estação, pegou seu lugar e lá se acomodou, tirou seu livro da maleta, Crime e Castigo, começou a ler, dessa vez sem tirar os olhos do livro, pois o dia anterior não tinha sido muito bom para ele, durante sua leitura uma voz doce e calma chegou aos ouvidos de Will. – Este livro não é demais? – Respondeu que sim e seus olhos subiam lentamente ao encontro da dona daquela suave voz, era ela, Will tinha certeza, apenas uma pessoa no mundo possuiria aqueles cabelos longos e loiros, algo vermelho o chamou atenção, era o livro, Crime e Castigo, sim, definitivamente era ela, seu rosto era mais encantador do que havia imaginado, começaram a conversar sobre o livro, havia chegado a hora de descer, Will guardou seu livro, estendeu uma das mãos para ela e disse: – Prazer, me chamo Will. – Hay. Disse ela acenando com um sorriso, Hay, que nome encantador, Will caminhou até a porta com Hay em seu pensamento, foi ao trabalho. No dia seguinte, Will novamente iria ao trabalho de metrô, cidadão consciente? Não, queria encontrar Hay, e assim os dias foram se passando, Will e Hay se encontravam pela manhã no metrô, até que 11 de setembro havia chegado, um dia digamos que, diferente. Will foi ao metrô, encontrou Hay e já foi logo dizendo: – Hay, eu não consigo mais parar de pensar em você, tudo me lembra de você, quando estou sozinho eu lembro de você, quando estou acompanhado eu lembro de você, eu não consigo mais esconder Hay, eu te amo.

Logo que Will disse isso o metrô parou e dois homens entraram friamente, colocaram suas armas para cima e gritaram: – Todos me entregando dinheiro, celular, tudo. Um dos caras puxou Hay e disse: – Se não fizerem o que estou mandando, essa menina morre.

Will ficou roxo de raiva, milhares de coisas passaram em sua cabeça naquele momento, decidiu arrancar Hay dos braços do homem, e foi isso que ele fez, ouvi um barulho, Will caiu no chão, sangrava, os homens pegaram as coisas e foram embora, Hay deitou ao lado de Will, ele morrera, com sua voz doce de sempre Hay disse : – Eu também te amo Will e sempre vou amar. Uma lágrima escorrendo em seu rosto, Hay encostou seu rosto no peito de Will e lá ficou.

Eu havia presenciado a história inteira dos dois, como mais um passageiro no meio da multidão, guardo esse caso em minha memória até hoje, como uma verdadeira história de amor.

– Giovanna Melo.

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